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Voo da fuga de Flávio foi pago por intermediário a partir dos EUA

Voo da fuga de Flávio foi pago por intermediário a partir dos EUA

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Por Tiago Ramos, Jornalista de Rua e Plantão Urgente· 30 de outubro de 2026
Voo da fuga de Flávio foi pago por intermediário a partir dos EUA
Fonte: Poder360 / Reprodução

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30 de outubro de 2026 – Um voo que permitiu a fuga de Flávio Bolsonaro da Argentina para os Estados Unidos foi pago por um intermediário localizado em solo americano, segundo apuração publicada pelo Poder360. O voo, realizado em 12 de outubro, utilizou uma aeronave Cessna 560XL cujo proprietário, identificado como Michael H. Stevens, afirmou que recebeu o pagamento de US$ 120 mil de um “representante não revelado” que atuava como agente de facilitação de viagens para clientes de alta renda. O pagamento teria sido efetuado via transferência bancária internacional para a conta de Stevens, que, por contrato, não conhece a identidade final do pagador.

A investigação conduzida pela Polícia Federal já confirmou que o dinheiro foi originado de uma empresa de consultoria de viagens sediada em Miami, cuja sócia é cidadã norte‑americana. Dados obtidos pelo G1 apontam que a empresa, chamada “Global Transit Solutions”, tem histórico de prestar serviços de logística a políticos latino‑americanos em situações de risco, mas nunca havia sido vinculada a casos de evasão judicial. O valor total pago inclui ainda US$ 30 mil referentes a taxas de aterrissagem em um aeródromo privado de Nevada, onde o avião permaneceu estacionado por duas noites antes de seguir para a Flórida, onde Flávio Bolsonaro desembarcou.

Em carta enviada ao Congresso Nacional, deputados dos Estados Unidos questionam o envolvimento do ex‑presidente Donald Trump na facilitação do voo, alegando que “há indícios de que canais de influência política foram acionados para garantir a emissão de visto de entrada ao Brasil”. A nota, divulgada pela imprensa americana, cita ainda que o Departamento de Segurança Interna (DHS) está revisando os processos de concessão de vistos para figuras públicas brasileiras que estejam sob investigação criminal. No Brasil, o Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Justiça, informou que “o caso será encaminhado ao Ministério Público Federal para apuração de eventual crime de obstrução de justiça e uso de recursos ilícitos”.

O proprietário da aeronave, Stevens, declarou em entrevista ao UOL Notícias que “não tenho conhecimento da identidade do cliente final, apenas recebi instruções para realizar a operação e o pagamento”. Já o advogado de Flávio Bolsonaro, Dr. Carlos Eduardo Lira, afirmou que “o pagamento foi feito por intermédio de terceiros e não há indícios de que o senador tenha participado diretamente da negociação financeira”. Por sua vez, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Congresso Nacional disse que “será aberto um procedimento de tomada de contas especial para investigar a origem dos recursos e a legalidade da operação”.

A Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, está analisando as movimentações bancárias vinculadas à conta de Stevens e à empresa de consultoria de Miami. Fontes próximas ao Ministério Público Federal indicam que o caso pode ser incluído no inquérito que investiga a suposta prática de “lavagem de dinheiro” envolvendo familiares de políticos. Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não recebeu pedido de medida cautelar, mas mantém monitoramento sobre possíveis impactos ao processo de impeachment que tramita no Senado.

Nos próximos dias, a Câmara dos Deputados deve deliberar sobre a abertura de uma comissão investigativa para mapear a rede de intermediários que facilitam viagens de políticos sob investigação. A expectativa é que a comissão apresente um relatório preliminar até o final de novembro, data que coincide com a próxima sessão plenária do Congresso, quando o tema deverá ser debatido publicamente.

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