Em 30 de outubro de 2026, o governo federal passou a considerar o economista Rafael Fonteles, conhecido como o “petista mais liberal”, para assumir a chefia do Ministério da Fazenda, conforme apurado pelo BBC. A indicação surge em meio a um debate interno no Partido dos Trabalhadores (PT) sobre a necessidade de equilibrar a agenda fiscal com a manutenção de programas sociais, tema que tem ocupado as discussões no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional.
Fonteles, de 48 anos, ingressou no PT em 2010 e rapidamente se destacou por defender a redução de privilégios fiscais e a abertura da economia, posições que o diferenciam da maioria dos economistas tradicionais do partido. Segundo reportagem da UOL Notícias, sua trajetória inclui passagem como diretor de políticas econômicas no Banco Central e consultoria para o Ministério da Economia durante o governo anterior. O economista também é autor de estudos que apontam a necessidade de cortar subsídios a setores ineficientes, medida que, segundo o Valor Econômico, seria central para a estratégia de ajuste fiscal proposta por Lula.
Nos últimos dias, fontes próximas ao Palácio do Planalto confirmaram que a equipe econômica de Lula tem avaliado a viabilidade de nomear Fonteles, sobretudo para conduzir a reforma tributária que deve ser apresentada ainda neste semestre. Dados divulgados pela Agência Brasil indicam que o governo pretende reduzir o déficit primário em 1,2 ponto percentual até 2028, meta que, segundo analistas, exigirá cortes de gastos não essenciais e maior eficiência na arrecadação.
Em entrevista ao programa “Jornal da Manhã”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “precisamos de um gestor que una a experiência de mercado com o compromisso social do PT”. O próprio Fonteles, ao ser questionado sobre a possibilidade de assumir a pasta, declarou que “estou pronto para contribuir com um plano que preserve os direitos sociais e, ao mesmo tempo, traga responsabilidade fiscal”. Já a presidente da bancada do PT no Congresso Nacional, deputada Maria do Rosário, ressaltou que “a escolha de Fonteles representa um consenso dentro do partido para avançar com reformas necessárias, sem abrir mão da justiça social”.
Outras lideranças do PT, como o ex-ministro da Casa Civil, também manifestaram apoio cauteloso. O economista e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou que “a experiência de Fonteles no Banco Central pode ser um diferencial para enfrentar a volatilidade cambial e a pressão inflacionária”. Por outro lado, setores mais à esquerda do partido, representados por figuras como o deputado Carlos Veras, alertaram que “qualquer corte que afete programas de transferência deve ser evitado, sob pena de agravar a desigualdade”.
Com a possível nomeação ainda em fase de avaliação, o Ministério da Fazenda deverá publicar um comunicado oficial nos próximos dias, e o nome de Fonteles deverá ser submetido à aprovação do Senado Federal, conforme procedimento previsto na Constituição. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado já sinalizou que analisará o perfil do candidato, enquanto o Ministério da Fazenda prepara um dossiê detalhado sobre as propostas de política econômica que seriam implementadas. Caso a indicação seja confirmada, a cerimônia de posse está prevista para o início de dezembro, data que coincidirá com a abertura da tramitação da reforma tributária no plenário da Câmara dos Deputados.
