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Lula vai ignorar Trump, Flávio e Milei e manter pragmatismo

Lula vai ignorar Trump, Flávio e Milei e manter pragmatismo

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Por Tiago Ramos, Jornalista de Rua e Plantão Urgente· 30 de outubro de 2026
Lula vai ignorar Trump, Flávio e Milei e manter pragmatismo
Fonte: Poder360 / Reprodução

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30 outubro 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao encerrar a coletiva de imprensa realizada no Palácio do Planalto, declarou que seu governo continuará a adotar uma postura pragmática nas relações internacionais, descartando a necessidade de alinhar-se a figuras como o ex‑presidente dos Estados Unidos Donald Trump, o senador Flávio Bolsonaro e o presidente argentino Javier Milei. A fala, que foi transmitida ao vivo pela assessoria da Presidência, tem como pano de fundo a estratégia de manter o ajuste fiscal em curso sem onerar a população mais vulnerável, conforme apontado em relatório do Poder360.

Nos últimos meses, a diplomacia brasileira tem sido marcada por tentativas de equilibrar interesses econômicos com pressões ideológicas. Em junho, o presidente Lula recebeu a visita de representantes do Fundo Monetário Internacional, que reforçaram a necessidade de um ajuste fiscal que não recaia sobre os mais pobres. Dados do Ministério da Fazenda indicam que o déficit primário deve ser reduzido de 2,3 % do PIB em 2025 para 1,5 % em 2027, meta que, segundo o governo, “não pode ser alcançada à custa da população vulnerável”.

A decisão de não se posicionar ao lado de Trump, que recentemente pediu que Lula “não tomasse partido” nas eleições brasileiras, reflete a cautela de Brasília diante de um cenário de polarização internacional. Em entrevista ao O Globo, Trump afirmou que “o Brasil tem o direito de escolher seu caminho, mas seria inteligente manter um canal aberto com os EUA”. Já Flávio Bolsonaro, que tem sido alvo de críticas de setores do PT por supostos atos autoritários, intensificou sua retórica contra o governo federal nas redes sociais, acusando Lula de “censurar a oposição”. O analista político da Valor Econômico descreveu esses episódios como “um novo degrau da reação autoritária de derrotados”.

“Nosso objetivo é garantir que o Brasil continue sendo um parceiro confiável, mas sem abrir mão da soberania nas decisões econômicas e sociais”, afirmou Lula, citando a necessidade de “pragmatismo acima de ideologias”. Em resposta, o presidente argentino Milei, em entrevista à CNN Brasil, declarou que “o Brasil deve parar de ser refém de políticas que não favorecem o livre mercado”.

Especialistas em relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) alertam que a postura de Lula pode gerar atritos com governos que adotam discursos mais confrontacionais. “Ao manter o foco no ajuste fiscal e na proteção dos mais pobres, o governo corre o risco de ser visto como pouco flexível em acordos comerciais”, comentou a professora Ana Lúcia de Souza. Por outro lado, o Conselho de Política Externa do Ministério das Relações Exteriores sinalizou que as próximas semanas contarão com encontros bilaterais com representantes da União Europeia e do Mercosul, visando consolidar acordos de comércio que respeitem as metas fiscais brasileiras.

No âmbito interno, o Congresso Nacional deverá analisar a proposta de Lei de Responsabilidade Fiscal, que incorpora as metas de ajuste anunciadas pelo Executivo. A tramitação está prevista para iniciar na próxima segunda‑feira, com votação preliminar marcada para 15 novembro. Enquanto isso, a assessoria da Presidência informou que não há planos de alterar a agenda de visitas oficiais ao exterior, mantendo encontros programados com autoridades dos Estados‑Unidos, Argentina e União Europeia nas próximas semanas.

A expectativa é de que a postura pragmática de Lula continue a influenciar tanto a política doméstica quanto a diplomática, com o governo buscando equilibrar pressões externas e demandas internas sem comprometer a agenda de proteção social.

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