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São Paulo, 29 de outubro de 2026 – Em entrevista concedida à imprensa em Washington, o ex‑presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva lhe pediu explicitamente que não tomasse partido nas eleições presidenciais que ocorrerão no Brasil em outubro de 2026. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa na Casa Branca, onde Trump comentou sobre a “necessidade de respeito mútuo” entre as duas nações, conforme apurado pelo Poder360.
A fala de Trump surge em um momento de intensas discussões sobre a política externa dos EUA em relação à América Latina. Desde o início de seu mandato, o governo federal brasileiro tem buscado manter um “pragmatismo” nas relações com Washington, ao mesmo tempo em que reforça laços com a Argentina, como apontou a assessoria de Lula em entrevista ao G1. Essa postura tem sido destacada como estratégia para equilibrar interesses comerciais e de segurança regional, especialmente diante da fuga do senador Flávio Bolsonaro para o exterior, episódio que tem gerado controvérsias no Congresso Nacional.
Segundo dados divulgados pela Polícia Federal, a investigação sobre a suposta fuga de Flávio Bolsonaro ainda está em curso, sem que haja indícios de envolvimento direto de autoridades estrangeiras. Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores informou que as conversas entre Washington e Brasília continuam “construtivas”, mas que não há nenhum acordo formal sobre apoio a candidatos. O Departamento de Estado dos EUA ainda não se pronunciou oficialmente sobre a declaração de Trump, mantendo a política de “não interferência” nas eleições de países soberanos.
“Eu conversei com o presidente Lula e deixei claro que não vou interferir no processo democrático brasileiro”, disse Trump, acrescentando que “respeito a vontade do povo brasileiro”. Em nota, a assessoria de Lula, representada pelo secretário‑executivo da Presidência da República, afirmou que “o presidente sempre buscou um diálogo aberto e transparente com todas as partes, mas jamais se envolverá em campanha eleitoral de nenhum candidato”.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ao ser questionado pela imprensa, declarou que “o Brasil mantém sua soberania e seu direito de escolher seus representantes, sem pressões externas”. Ele ainda ressaltou que “qualquer tentativa de influenciar o pleito será recebida com firme repúdio”. Em entrevista ao CNN Brasil, o analista político Fernando Henrique comentou que a declaração de Trump pode “acender ainda mais o fogo da polarização” tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, mas que “não há indícios de que haja um plano coordenado para interferir”.
Nos próximos dias, a Casa Branca deve emitir um comunicado oficial sobre a entrevista, enquanto o Ministério das Relações Exteriores prepara um relatório para o Conselho de Segurança Nacional. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está monitorando a situação e afirmou que “qualquer indício de campanha externa será investigado rigorosamente”. A expectativa é que, até a primeira semana de novembro, haja uma reunião bilateral entre representantes de Lula e da administração de Joe Biden, que sucedeu Trump, para alinhar a agenda de cooperação e esclarecer eventuais mal‑entendidos antes da abertura oficial da campanha eleitoral em 5 de novembro.
A repercussão nas redes sociais tem sido intensa, com líderes de oposição no Brasil acusando o governo de “cobertura diplomática” e partidários de Lula defendendo a postura de “neutralidade”. Enquanto isso, analistas de política externa apontam que a relação Brasil‑EUA pode entrar em uma nova fase, marcada por negociações comerciais sobre energia renovável e segurança cibernética, temas que deverão ser discutidos no próximo encontro do Governo Federal com representantes do Congresso Nacional.
