São Paulo, 30 de outubro de 2026 – O governador do estado, Tarcísio de Assis, declarou em entrevista exclusiva ao Estadão**, que havia conversado com o senador Flávio Bolsonaro logo após a derrota do candidato do Partido Liberal nas eleições presidenciais de 2022, afirmou ter sugerido que o parlamentar não deixasse o território nacional. Segundo o governador, o conselho foi dado “para evitar que a situação se agravasse politicamente e juridicamente”.
A recomendação surge após a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, onde o senador teria buscado apoio junto a familiares e assessores. A viagem, realizada em dezembro de 2022, foi interpretada como tentativa de escapar de investigações da Polícia Federal sobre supostos desvios de recursos do Instituto de Família e de apoio a projetos de campanha. O retorno ao Brasil, previsto para o início de 2023, ainda não ocorreu, e a ausência do senador tem alimentado especulações sobre um possível afastamento definitivo da vida pública.
Tarcísio, que tem se posicionado como um articulador da direita moderada no Congresso, explicou que o conselho visava preservar a coesão do bloco bolsonarista. “Eu conversei com Flávio e deixei claro que, dadas as circunstâncias, seria mais estratégico permanecer no país e enfrentar as questões aqui, ao invés de se afastar e gerar mais incertezas”, disse o governador em entrevista gravada na sede da Assembleia Legislativa de São Paulo. O relato do governador foi corroborado por fontes próximas ao senador, que apontam que Flávio recebeu “aviso forte” de que sua permanência seria crucial para a manutenção da bancada no Senado.
Em resposta, o filho de Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, afirmou que a decisão de Flávio foi “uma escolha pessoal” e que “não há nenhum impedimento legal que o obrigue a permanecer”. Já o próprio presidente Jair Bolsonaro, em pronunciamento ao Palácio do Planalto, classificou a fuga como “um erro de cálculo” e ressaltou que “a família Bolsonaro está disposta a colaborar com as investigações”.
Especialistas em direito constitucional alertam que a permanência ou não do senador no país pode influenciar processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal, especialmente aqueles que tratam de supostos crimes de responsabilidade e de improbidade administrativa. O professor de ciência política da Universidade de São Paulo, André Lima, destacou que “a decisão de Flávio pode mudar o equilíbrio de forças no Senado, impactando votações críticas, como a reforma tributária e a pauta de combate à corrupção”.
Nos próximos dias, o Conselho de Ética do Senado deverá abrir uma comissão para analisar a situação de Flávio Bolsonaro, enquanto a Polícia Federal mantém aberto o inquérito sobre o caso. O governador Tarcísio informou que continuará dialogando com lideranças do bloco e que “há um esforço conjunto para garantir que a direita brasileira tenha representação forte e coerente nas próximas sessões legislativas”. A expectativa é que o senador retorne ao país ainda nesta semana, antes da abertura da sessão extraordinária do Congresso Nacional marcada para 5 de novembro, quando serão debatidas propostas de reforma política que podem redefinir o cenário eleitoral para 2026.
