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Empresários com contratos cancelados buscam reverter perdas; funcionários temem boicote

Empresários que tiveram contratos públicos anulados organizam campanha para recuperar prejuízos, enquanto trabalhadores denunciam ameaças de retaliação.

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Por Tiago Ramos, Jornalista de Rua e Plantão Urgente· 30 de outubro de 2026
Empresários com contratos cancelados buscam reverter perdas; funcionários temem boicote
Fonte: Estadão / Reprodução

Em 30 de outubro de 2026, a Polícia Civil do Oeste Paulista abriu investigação sobre supostas listas que associam comerciantes a posições políticas contrárias ao governo federal, gerando boicotes a estabelecimentos cujos contratos com a administração pública foram rescindidos. O caso, que já mobiliza a Polícia Federal e o Ministério Público da República (MPR), envolve cerca de 120 empresas que alegam prejuízos financeiros e temem represálias contra seus funcionários, conforme apurado pelo Estadão.

As listas, divulgadas inicialmente em grupos de mensagens instantâneas, apontavam nomes de empresários que tiveram contratos de fornecimento de merenda escolar, limpeza urbana e obras públicas rescindidos após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas últimas eleições. Segundo levantamento da Polícia Federal, mais de R$ 45 milhões em contratos foram cancelados entre janeiro e setembro de 2026, afetando 87 estabelecimentos em municípios como São José do Rio Preto, Barretos e Votuporanga. Os proprietários alegam que a interrupção dos contratos gerou perdas de até 70 % da receita anual, forçando demissões e a suspensão de pagamentos a fornecedores.

A ação de boicote, que inclui campanhas de difamação nas redes sociais e manifestações em frente aos estabelecimentos, teria provocado a retirada de clientes em até 40 % dos casos, segundo levantamento da associação comercial local. Em resposta, 52 empresários apresentaram um pedido conjunto à Justiça solicitando medida cautelar para impedir a divulgação de listas e a prática de atos de intimidação. O Ministério Público da República, por sua vez, recebeu 23 denúncias de funcionários que relataram ameaças de violência física e psicológica caso continuassem a trabalhar nas empresas visadas, o que motivou a abertura de inquérito para apurar crime de extorsão e incitação ao ódio, conforme já noticiado pelo G1.

Em entrevista à imprensa, o procurador da República responsável pelo caso, Dr. Rafael Nunes, afirmou: “Estamos tratando essas listas como potencial crime de difamação e incitação ao boicote, que podem configurar tentativa de coação econômica contra empresários que exerceram atividade regular”. O mesmo procurador ressaltou que a investigação já identificou a origem de alguns grupos de mensagens em servidores externos, o que pode levar à responsabilização criminal dos autores.

Já a presidente da Federação das Associações Comerciais do Oeste Paulista, Maria Clara Duarte, denunciou que “os nossos associados vivem medo de sair das portas de seus negócios, pois recebem ligações ameaçadoras e são alvos de manifestações violentas”. Duarte pediu que o governo estadual, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, crie um canal de proteção para os empreendedores e que a Polícia Militar intensifique o patrulhamento nas áreas de maior tensão.

O Ministério Público encaminhou, nesta quinta‑feira, um relatório preliminar à Suprema Corte solicitando que seja reconhecida a prática como crime de organização criminosa, caso se confirme a existência de estrutura coordenada para difamar e boicotar os comerciantes. A defesa dos empresários, representada pelo advogado Carlos Alberto Silva, informou que apresentará, na próxima sessão da 12ª Vara Criminal de São José do Rio Preto, pedido de tutela de urgência para a retirada

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